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Dia do Rock incendeia a segunda semana do Rock in Rio

Written by on 5 de outubro de 2019

Anthrax – fotos de Luck Veloso

Por Luck Veloso – O segundo final de semana trouxe o dia mais aguardado por quem desejava ouvir os acordes de guitarras no Rock in Rio 2019. o tão falado ´Dia do Metal´. Como ficou eternizado no bordão da nossa querida Christiane Torlini, “é dia de rock bebê”. Com a programação do Palco Sunset e do Palco Mundo recheada de riffs, começando com as meninas do Nervosa, passando pelo som pesado do Slayer, do Anthrax  e do trio Claustrofobia/Torture Squad/Chuck Billy (Testament), sem contar ainda com os grandes nomes do Palco Mundo, como Iron MaidenScorpionsHelloween e Sepultura.

Nervosa – fotos de Luck Veloso

Todos os modelitos pretos foram retirados do armário para o dia especial e a Cidade do Rock foi tomada pelo mais puro espírito rock and roll. O trio Nervosa fez soar os primeiros acordes na tarde quentíssima de 4 de outubro, com o público ávido para sentir o peso do power trio feminino, formado por Fernanda Lira nos vocais, Prika Amaral na guitarra e Luana Dametto na poderosa bateria. São as meninas ocupando cada vez mais, um espaço que deve ser delas, ou seja, onde quiserem.

Várias gerações foram curtir o Dia de Rock – fotos de Luck Veloso

Em seguida, o Claustrofobia, banda paulistana de metal extremo que vem trabalhando incansavelmente desde 1994, subiu ao Palco Sunset para mais algumas toneladas de decibéis ao lado do lendário Chuck Billy (Testament) e da brazuca Torture Squad. Para os ´iniciados´na arte do Heavy Metal, o dia estava sendo dos Deuses, com trocadilho. O gutural, um estilo e técnica vocal que produz um canto grave, rouco e intenso, era a língua nativa sob o sol escaldante e muitos pareciam entrar em uma espécie de transe, reverberando todo aquele som que invadia os tímpanos e a alma. Mas ao contrário do que pensam alguns puristas desavisados, quem ama heavy metal é totalmente do bem. A galera curtia, sorria, gritava e fazia as tradicionais rodas sem transtorno, dando de volta às bandas toda a felicidade que ela os proporcionava com seu som.

Helloween no Palco Mundo – fotos de Luck Veloso

Já no Palco Mundo a festa recebeu os caras do Helloween, reconhecida banda de power metal alemã, na ativa desde o início dos anos 1980. Os caras são considerados os ´pais´ do estilo, tendo influenciado muita gente ao redor do mundo, como Hammerfall, Shaman, Angra e muitos outros. E sabe o que é melhor? A turnê que passou pelo festival foi a “Pumpkin United”, com a participação dos três vocalistas que passaram pelo grupo: Andi Derris, Kai Hansen e Michael Kiske. Com todo o aparato digno do segmento, ou seja, botas de couro, jaquetas pretas e cheias de enfeites e cabelos com cortes esvoaçantes (menos o careca Kiske, claro), deram uma verdadeira aula de metal melódico. O Sepultura também fez o principal palco do festival tremer, com seu som poderoso e os vocais de Mr.
Derrick Green, mas não faltaram lágrimas quando a imagem do cantor André Matos (Viper, Angra, Shaman), morto em junho deste ano, apareceu no telão. Andreas Kisser fez uma homenagem ao músico e um pequeno trecho instrumental de Carry On, hino do Angra, foi tocado.

O Iron Maiden era a grande e mais aguardada estrela da noite e fez um show digno do nome que tem. A banda quis antecipar sua apresentação, sendo o ´headliner´à frente da programação do dia. Totalmente compreensível. Com uma rotina intensa de shows e viagens, Bruce Dickinson, Steve Harris e companhia merecem ir para a cama mais cedo. A turnê atual, “Legacy of the Beast” tem como tema quadrinhos e games, o que ajudou na ambientação visual da noite. O show foi basicamente composto por grandes hits, como pede e manda um festival, com os caras tocando Flight of the Icarus, Aces High, Sign of The Cross, The Number of The Beast, Fear of The Dark e muitas outras.

Ao final do show do Maiden, uma grande parte do público presente decidiu ir embora. Como headliners costumam trazer a multidão (vide a edição de 2017, quando o The Who tocou antes do Guns and Roses), a produção aguardou cerca de uma hora para iniciar o show do Scorpions. Quem decidiu permanecer na cidade do rock não se decepcionou.

Fundada em 1965(!) pelo guitarrista Rudolf Schenker, que começou a recrutar músicos para compor o que viria a ser uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Scorpions tem uma legião de fãs pelo mundo inteiro e a exemplo do que os colegas da donzela fizeram, focaram nos maiores hits de sua intensa e brilhante carreira. O vocalista Klaus Meine, de 71 anos, esbanjou vigor e simpatia, convocando a todos em um português arrastado, para se divertirem, no que foi prontamente atendido. Os grandes clássicos “Still Lovin´You” e “Rockin´ Like a Hurricane” fizeram a festa dos fãs, que cresceram ouvindo música de qualidade e saíram de lá com a alma lavada. Valeu esperar pela maratona rock!